Não sou muito ligado à política, na verdade todos são inconformados naturalmente com o governo. Mas da mesma maneira que elogiei muito a Virada Cultural, que pelo menos teve um espaço para centenas de artistas mostrarem os seus trabalhos, fiquei inconformado com uma notícia que vem se espalhando agora: O SESC está sob uma ameaça de intervenção do governo federal, podendo diminuir o orçamento da instituição em um terço.
Na verdade a proposta é que parte do dinheiro arrecadado pelas entidades do Sistema S seja destinada à criação do FUNTEC (Fundo Nacional de Formação Técnica e Profissional).
Entidades que fazem parte do Sistema S: Serviço Nacional da Indústria (SENAI), Serviço Social da Indústria (SESI), Serviço Nacional do Comércio (SENAC), Serviço Social do Comércio (SESC), Serviço Nacional de Aprendizagem Rural (SENAR), Serviço Nacional de Aprendizagem em Transportes (SENAT), Serviço Social de Transportes (SEST), Serviço Brasileiro de Apoio às Pequenas e Médias Empresas (SEBRAE) e Serviço Nacional de Aprendizagem do Cooperativismo (SESCOOP).
O ministro da educação, Fernando Haddad em entrevista ao Tribuna do Norte critíca o Sistema S alegando a falta com gratuidade, público elitizado, falta transparência na destinação dos recursos e que as mudanças visam corrigir essas distorções. Diz ainda que a falta de educação profissional gratuita no país é justamente o grande problema que temos hoje e que vão aproveitar um sistema que deu certo para suprir uma deficiência que o governo não conseguiu superar.
O que muitos não sabem é que o SESC não é do governo, são empresários que mantém e administram a entidade privada. Mas muitos sabem que a cultura que o SESC proporciona para o público é de alta qualidade e de baixo custo. É uma prova que é possível proporcionar uma educação exemplar.
Danilo Miranda, diretor regional do SESC SP, publicou uma carta aberta ao público frequentador do SESC:
Queremos compartilhar com todos vocês o risco ao qual o SESC está exposto neste momento. O governo federal pretende enviar ao Congresso Nacional projeto de lei que retira pelo menos 33% dos recursos do SESC para a criação de mais um fundo de financiamento de programas de formação profissional.
Diante desse risco, é nosso dever expor à sociedade brasileira o valor e a importância desta instituição criada, mantida e administrada com recursos privados, provenientes de contribuição compulsória das empresas do comércio de bens e serviços surgida nos anos 40 por proposta voluntária do empresariado. Esta definição tem amparo na lei e na Constituição Brasileira (art. 240).
O SESC promove a educação permanente por meio de suas ações culturais, socioambientais, esportivas, de promoção da saúde e da cidadania, das atividades de lazer e de sociabilização, voltadas prioritariamente às pessoas de menor renda.
A melhor maneira de conferir o significado dessa ação é vivenciar o dia-a-dia.nos centros culturais e desportivos. Ouvir o relato dos freqüentadores sobre a importância do SESC em suas vidas e para suas famílias. Utilizar os equipamentos e instalações de primeira qualidade, abertos a todos os estratos sociais, e participar das inúmeras atividades que abrangem um amplo arco de interesses e necessidades, reunindo um público extremamente diversificado.
Acreditamos que todos vocês já tiveram essa oportunidade. São, portanto, testemunhas da natureza beneficamente eficaz, engajadamente eficiente e profundamente educativa do trabalho que o SESC desenvolve há 61 anos. Esse patrimônio não pode ser sacrificado em favor de prioridades transitórias, em nome das quais se destruiria um trabalho consolidado em mais de seis décadas de atuação, causando um prejuízo incalculável ao desenvolvimento do país.
A educação profissional é importante. Mas se dissociada de uma ação voltada ao desenvolvimento integral do indivíduo, torna-se meramente utilitarista, o que levaria a um evidente retrocesso, fruto de uma visão obscurantista e flagrantemente retrógrada.
Diante da gravidade dessa situação, que propõe a retirada de substanciais recursos dos programas socioeducativos do SESC, convidamos a todos para que se manifestem, pelos meios ao seu alcance, em prol da continuidade de nosso trabalho.
Um projeto que, afinal, é uma conquista da sociedade brasileira.
Concordando completamente com o Danilo Miranda, o país está andando para trás, ao invés do público que não tem condições de conseguir uma boa educação, correr atrás dela, o “público elitizado” que o Haddad menciona é que vai ter que correr atrás do prejuízo, sempre correndo atrás do próprio rabo.
Há também um abaixo-assinado disponível na internet para apoiar em defesa do SESC no qual eu já assinei.